41 3156.0003

40 ANOS O PRIMEIRO BEBÊ DE PROVETA

ivfA imprensa está noticiando os 40 anos do primeiro bebê de proveta do mundo. Fato apresentado como uma revolução muito positiva na medicina.

No entanto, precisamos ponderar um pouco mais sobre disso, dando atenção a aspectos negligenciados na euforia da comemoração.

Como é feito

O “bebê de proveta” trata-se de um ser humano criado fora da mãe, em um laboratório, pela chamada fecundação in vitro. O embrião criado pode ser fruto da união dos gametas do seu pai e de sua mãe. Mas pode também advir de várias outras possibilidades: óvulo da mãe e espermatozoide de outro homem (conhecido ou não); espermatozoide do homem e óvulo de outra mulher; óvulo e espermatozoide de outras pessoas;

Uma vez criado no laboratório, este novo ser humano é implantado no útero da mãe. Assim, completa-se o processo de fecundação in vitro e transferência do embrião (FIVTE).

Porém, junto com o tão esperado filho, foram criados seus irmãos. Para não haver o “risco” de que a mãe dê à luz vários filhos, nem todos são implantados. Os que não tem esta sorte, são congelados ou descartados ou usados como cobaias em estudos, dependendo da legislação de cada país. Pode acontecer também que todos sejam implantados e observados por um período; daí, o que mais se desenvolve é mantido e os demais retirados.

Para evitar o abortamento de seus filhos, a Americana Nadya “Octomom” Suleman decidiu por implantar todos que haviam sido fecundados, o que resultou no nascimento de oito filhos de uma vez.

Reflexão ética

Assim, temos deste processo aparentemente simples alguns pontos éticos complicados, que quase não são expostos ao público:

– a técnica favorece a visão hodierna que filho é um direito dos pais. Para o ensinamento da Igreja não é bem assim; filho é um dom a ser aceito, que vem de Deus;

– a técnica também fortalece a ideia atual que tudo podemos conseguir, independente dos meios para se chegar ao fim desejado;

– o ato sexual entre os cônjuges, aspecto unitivo e procriativo do casamento, não está presente nesta técnica;

– o filho gerado tem todas as características de uma mercadoria que foi encomendada e produzida em laboratório; em alguns países, junto com a técnica de produção do bebê pode-se escolher com quais características ele virá: cor dos olhos, da pele, etc;

– a técnica favorece a “produção independente” de filhos, onde uma pessoa – mulher ou mesmo homem – pode ter seu filho sem precisar de um matrimônio;

– Juntamente com um filho que foi gerado, outros foram vítimas de aborto seletivo ou estão congelados em algum laboratório. Este é o ponto mais grave para a Igreja.

– a eficácia da técnica passados 40 anos de sua criação, ainda está muito aquém do esperado; as pessoas gastam muito dinheiro na expectativa de ter um filho, o que muitas vezes não acontece, mas que gera muito lucro para médicos e laboratórios envolvidos no processo. Além disso, gera também muitos seres humanos abortados…

Pelo exposto acima, vemos por que a Igreja não recomentai o uso desta técnica aos seus filhos. Ela geralmente leva ao abortamento de outras vidas, bem como, de modo geral, não favorece o matrimônio e corrobora com uma visão utilitarista em nossa sociedade. Qualquer técnica que o avanço científico moderno nos apresenta não pode ser aceita independente dos pontos éticos envolvidos, que deveriam sempre nortear o uso ou não das técnicas.

A Igreja entende o sofrimento dos casais que têm dificuldade em ter filhos biológicos. Sabe também que muitos deles, bons cristãos, buscam esta técnica sem terem total conhecimento de todos os aspectos éticos envolvidos. A Igreja  incentiva tais casais a tentarem métodos naturais. Caso ainda assim não tenham o dom de gerar, sugere que façam o tão grande ato amoroso de adoção de uma ou mais crianças. Com certeza, esta é uma forma de gerar a vida.