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Testemunhos

Aqui você encontra as histórias na íntegra das mulheres atendidas pela Casa Pró-Vida Mãe Imaculada.

“A gravidez muda a sua vida, mas não acaba com ela”

N. foi a primeira mulher atendida pela Casa Pró-Vida Mãe Imaculada, a primeira mamãe! Hoje seu filho tem 4 anos

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“Descobri que estava grávida aos dois meses, no ano de 2013, estava no segundo ano da faculdade e num relacionamento sério há 4 anos. Quando eu era criança, sempre quis ter filhos, chegou na adolescência e na vida adulta, como muito adolescentes pensam hoje, ‘ah engravidou aborta’. Como se fosse uma espinha que você tira. Aí quando engravidei eu vi que seria bem diferente. Primeiro: Eu já estava de 2 meses; segundo, que não é uma escolha só minha; terceiro, que não é tão simples assim. Me desesperei por muitos motivos, acabei ficando solteira, quando estava de 3 meses descobri que a gravidez era de risco, com tudo que aconteceu eu acabei tendo uma ameaça de aborto . E o que me afetou muito é o preconceito contra mãe solteira, as pessoas falavam muito.

Parece que eu tinha um sentimento na época que engravidei, não sei se pelo ambiente universitário, como se eu tivesse atirado na minha cabeça teria sido melhor, porque engravidar e acabar com a própria vida para muitas pessoas é a mesma coisa. Tinha apoio da minha família, e da família do pai do bebê também. Aí, eu culpava o bebê de tudo que estava acontecendo, ficar solteira, engravidar, ter que trancar a faculdade. Claro, ele não é culpado de nada, a faculdade eu trancava e continuava depois, mas eu não via isso na época. Na época eu só via que eu deveria abortar. O meu filho nasceu, eu continuei solteira, não teve volta com o pai dele. Agora que eu casei de novo. Cuidei dele esses 4 anos sozinha. ‘Nossa não é tão ruim assim’.

Hoje em dia o fato de você querer ter filho, ou engravidar sem querer, é um absurdo, as pessoas tratam como se devesse ser a última coisa que pode passar na sua cabeça. ‘Nossa você ta louca, quer colocar o filho no mundo’. Não é fácil, óbvio que não é fácil, mas não é o fim do mundo, não é um bicho de sete cabeças, desde que tive meu filho trabalho de telemarketing, salário de telemarketing, e a pensão. Eu não vejo como se fosse um monstro.

Eu acho que ele tinha que vir ao mundo, acho que Deus queria que ele viesse ao mundo, ele teve dilatação no rim, teve problema na válvula do coração no parto. Um parto  difícil, mas está saudável. Eu tive ele na madrugada, não podia levantar e no outro dia de manhã fui visitar ele, a UTI era meio escura, e tal. Eu lembro que vi uma luz nele, quando eu olhava.  Acho que se eu pedisse para Deus um príncipe encantado, na verdade ele me deu um príncipe, meu filho. Lembro que na faculdade eu tive uma colega, que conseguiu 12 comprimidos no Paraguai, caso não desse certo, ela me disse que conseguiria um médico, só que eu teria que ter o dinheiro, coisa que eu não tinha.  Eu já estava de 3 meses, possivelmente eu não ia conseguir abortar (mesmo com os remédios), ia nascer com algum problema, ou no mínimo eu ia me matar (porque o risco era muito grande). Acabou que eu joguei fora os comprimidos. Se eu não tivesse encontrado a Casa, teria feito qualquer outra besteira.

A única coisa que me arrependo, sim, muito é ter rejeitado ele na gravidez, porém eu não me culpo, porque eu acho que era uma situação que você não consegue passar bem e não tem como não passar nada para ele, porque o ser está dentro de você. Eu cheguei aqui na Casa com 4 meses de gestação. Foi maravilhoso, tenho plena certeza de que não abortei, porque conheci a Casa Pró-Vida.

O aborto não é a solução, eu vi na pele isso. Primeiro, que não é como tirar uma espinha, não é. Eu passei, e tinha plena consciência de que tinha um ser aqui, não é tão simples assim, se eu tomar 12 comprimidos, possivelmente eu vou sangrar e ir para o hospital. O parto foi complicado, resumindo: corpo é muito imprevisível.

Eu não imagino alguém passando por essa situação, de você dormir e ficar imaginando um bebê que não está aqui. Acho que deve ser horrível, então o aborto não é a solução. Dar pra adoção, por exemplo (pode ser uma alternativa). O que eu vejo é muita gente falando da legalização do aborto, mas ninguém falando sobre a adoção, eu não vejo ninguém lutando para as leis serem mudadas, ou para o processo ser facilitado. Ou para dar uma vida melhor para as crianças que são maiores (e estão num lar), estranho que não vejo.

Filho não é fim do mundo, é a melhor coisa que pode acontecer. Eu tomo cuidado para te falar, porque eu não estou romantizando a gravidez, ou romantizando ser mãe, porque eu sei que não é fácil, mas não é o fim do mundo. Isso eu aprendi na pele. E ele (meu filho) é tudo, eu fico imaginando se eu fizesse isso, o que teria acontecido comigo depois, acho que não estaria nem aqui. Depressão, aborto, ter morrido no procedimento. Então, ter filho não é o fim do mundo, são as pessoas que acham que meu filho é uma pedra no meu caminho, ele até pode ser, mas é um diamante enorme. O problema foram as pessoas falando demais.

O que uma grávida pensa, pelo que eu li, pelo que eu passei, é que você vê tudo mundo saindo, curtindo, não que um filho impeça, mas você sabe que sua vida não vai ser a mesma. A gravidez era de risco, eu via as pessoas “vivendo” e eu ali, só que claro que hoje, eu tenho outro pensamento. Quando ele nasceu, eu já estava bem e saia com ele. A gravidez muda a sua vida, mas não acaba com ela.  Não importa se você é solteira ou casada, as pessoas vão falar que você tá errada por ter um filho. Estamos num mundo que independente do motivo vão falar. Eu não me arrependo de ter deixado ele nascer.”

Testemunho concedido à Marcia Elizandra Faustino

“No fim, ele simplesmente sumiu”

Após a separação, V. engravidou de um novo relacionamento. Contava 25 anos quando descobriu que seu novo namorado tinha uma outra família. Terminou o relacionamento e decidiu procurar o aborto. O pai da criança não mantém contato algum.

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“Eu fui casada durante oito anos com o pai da minha filha, que vai fazer 3 anos. Em janeiro, a gente se separou. Faz quase 9 meses. Acabei me envolvendo com outra pessoa. Aconteceu de eu engravidar, por falta de cuidado dos dois lados. Antes de eu saber que estava grávida, tive uma decepção muito grande com esse rapaz com quem eu estava. A gente ficou junto uma semana e pouco. Ele fazia juras de amor. Como eu estava recém-separada, acreditava em tudo que me falava. Na verdade, descobri que era casado, que tinha uma filha de 4 meses. Foi uma decepção bem grande. Terminei com ele. Minha menstruação atrasou. Fiz o exame e estava grávida. Até então eu pensava que a criança era do meu ex-marido. Fui fazer a ecografia e entendi que não era dele, pelo tempo de gestação. Fiquei desesperada, sem saber o que fazer. Conversei com uma amiga. Falei pra ela: ‘Preciso fazer qualquer coisa. Preciso tirar essa criança, porque não quero’. Ela me ajudou, pesquisou na internet, me passou o contato da casa. Marcamos um encontro. Para o pai do bebê, contei uns três, quatro meses depois. Prometeu muita coisa. Falou que ia me ajudar, isso e aquilo. No fim, simplesmente sumiu, trocou de número de telefone. Não faço questão. Fui até o pessoal da casa e estava sendo acompanhada pela psicóloga. Acho que a consciência da mulher nunca mais volta ao normal, porque querendo ou não, é uma vida. Acho que é pior ainda, porque se trata de uma vida indefesa. A proteção do neném, na verdade, sou eu. Hoje em dia penso totalmente diferente, por que eu tentei. Nossa… tomei chá, pesquisei. Tem muita coisa na internet sobre isso. Eu tomava tudo que mencionava.

Demorou um pouco para eu aceitar a gravidez, mas hoje em dia estou ansiosa pela hora dele chegar. Estou organizando o que tem de organizar. Depois que continuei a gravidez, estava decidida a dar o bebê. Quando nascesse eu ia dar para o pai dele, que ia levar embora ia cuidar. Foi bem difícil, mas resolvi ficar com a criança. Agora vejo a felicidade da minha filha. Ela vai ter um irmão. Ficava imaginando: vou abortar. Sonhava com isso. Imaginava que tinha abortado, escutava choro de criança. Até falei para quem me acompanha: ‘Imagine se eu realmente tivesse abortado. Acho que tinha ficado louca. Porque se antes de fazer já tinha esses pensamentos, imagine depois’. Seria a mesma coisa que matar a minha filha. A minha barriga começou a aparecer depois que aceitei. Antes disso, não tinha barriga. Eu me olhava em frente ao espelho, procurava usar roupa larga, roupa que não mostrasse. Depois que assumi, falo que até parece que minha saúde melhorou, porque antes eu vivia doente. Vivia passando mal. Volta e meia estava de atestado no serviço, porque não estava bem. Ou era pedra no rim, ou era começo de aborto, ou descolamento de placenta. Sempre tinha alguma coisa. Hoje estou de 7 meses.”

Testemunho concedido à Marcia Elizandra Faustino

“Tinha pesadelos, dia e noite com bebê”

Em meio a dificuldades financeiras, L. descobre estar grávida e busca o aborto. Durante esse período têm sonhos e pesadelos com bebês. Ao conhecer o trabalho da  Casa Pro-Vida decide continuar a gravidez. Hoje, sua filha está com 6 meses. L. trabalha em uma padaria e seu marido continua desempregado. Contudo, para ela a menina é a maior alegria da sua casa.

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“Descobri que estava grávida e fiquei desesperada. Meu marido estava desempregado, só faz bico, sabe. Eu sou casada, moro de favor no mesmo terreno da minha sogra e tenho duas crianças. Não passo fome, mas dificuldade.

No desespero, como vai ser? Mais um né? Fui procurando na internet. Cheguei na casa. Não cheguei a tomar remédio, nada. Eu pesquisava na internet.

Não, não. Eu não estava me reconhecendo em falar sobre o aborto, porque eu sempre fui contra o aborto. Quando descobri que estava grávida e veio direto na minha cabeça o aborto, não tive coragem de falar para ninguém, nem para o meu marido. Na minha cabeça ia ser mais fácil fazer o aborto e ninguém ficar sabendo.

Isso foi até eu fazer minha ecografia, quando completei um mês e três dias. Me deu uma crise de choro, desespero, vi que não ia conseguir abortar. Até quando fui conversar com o pessoal da casa eu estava decidida a não fazer, mas já tinha ido até ali.

Meu marido não apoiaria o aborto. Tanto que depois que falei com as meninas da casa e elas me acalmaram, contei para ele que eu estava grávida e que queria fazer o aborto. Ele me escutou e não me julgou, mas não ia aceitar. O desespero foi mais pela realidade financeira.

Parece um anjo que apareceu na minha vida, porque eu não estava me reconhecendo,. Não conseguia mais trabalhar. Ficava tendo pesadelos, dia e noite, direto, com neném, etc. Sonhava que minha cama estava cheia de sangue.

Agora, estou conseguindo ver o lado bom que não conseguia ver. Só enxergava o lado ruim, que ia ser difícil, que não ia conseguir que ia ter que sair do serviço. Só isso. Meu marido ficou feliz, minha sogra ficou feliz. E tenho apoio dos meus patrões.

É uma sensação maravilhosa, não tem como explicar. Não esperava que meu marido ia ficar tão feliz como está. Ele não viu em momento algum o lado ruim, como eu vi. O sentimento era de desespero. Passam mil coisas na cabeça da gente. Agora estou feliz, no meu trabalho, na minha casa, estou melhor.

Deus dá um jeito pra tudo, que essa criança está vindo por algum motivo. Se abortar a gente nunca vai esquecer. Todo mundo tem o direito de viver, né.

Na internet, não é tão fácil comprar remédio, eles pedem email, isso, aquilo. Tem muitos falsificados.

Tem uma amiga minha, ela está com 42 anos, não sei se foi pelo remédio, ou pela idade. Ela tomou o remédio, e teve hemorragia durante três dias. Uma hemorragia muito forte. Achou que tinha perdido a criança, mas não. A menininha dela está com 6 anos e nasceu com probleminhas. Faz acompanhamento, com problema de visão, físico, pulmão..

Vi no site de uma feminista, alguns comentários e como ela pode ser a favor do aborto, né. As feministas, que são a favor do aborto, mas quantas meninas não são mortas (ainda em gestação) com o aborto? Há também as consequências físicas e psicológicas. Eu já sofri antes de fazer o aborto, imagine se eu tivesse feito. Teria acabado com minha vida, com certeza.

Seriam duas vidas, do meu bebê e a minha e a do meu marido, não sei como ia ser. Dá para dizer que ele é apaixonado por mim, mas não ia me perdoar. Ele também ia ficar a vida inteira com isso na cabeça, que eu tive um filho dele, como era para a criança estar agora, se era menino ou menina. Eu ia acabar com a vida do bebê, com a minha e a do meu marido.”

Testemunho concedido à Marcia Elizandra Faustino

“Essa situação não encaixava na minha vida.”

H. era solteira e não pensava em engravidar, não fazia mais parte dos planos. Tem um filho com 20 anos, que está sempre a seu lado. Ela, porém, passou por um período de surpresa e desespero ao descobrir a gravidez.

mãe e filho

“Eu não esperava engravidar. Estava com 41 anos,não fazia mais parte da minha vida. Pra mim, era uma coisa impossível, mas acabou acontecendo. Me envolvi com uma pessoa. Foi uma coisa rápida. Tinha acabado de conhecer e acabei tendo uma relação e dessa única relação engravidei. Naquele momento, a minha resposta. Não havia possibilidade de ter a criança. Meu primeiro pensamento foi abortar. Morava com meu filho mais velho (com 20 anos), com meu pai, minha mãe, com meu outro irmão. Não tinha nenhum espaço para abrigar uma criança e essa situação não encaixava na minha vida. Como eu ia trabalhar? Quem ia cuidar do bebê? Planejava fazer uma pós-graduação. Não tinha nem condições financeiras, nem espaço para cuidar da criança. Como ia dizer para minha família, como ia dizer para o meu filho de 20 anos? ‘Olha, eu tô grávida. Vou ter um bebê de uma relação que passageira’. Tinha vergonha também da situação em que me envolvi. Quando descobri, não contei para ninguém. Só eu sabia. Descobri porque trabalho numa clínica de imagens. Eu mesma fui até o aparelho. Minha menstruação estava atrasada, mas imaginava que ia entrar na menopausa. Coloquei o aparelho na minha barriga e percebi que tinha algo diferente. Tinha lá o saquinho gestacional. Fiquei desesperada.

Comecei tomando chá, vários tipos. Tudo que achava, tomava. Tomei coisas fortes mesmo. Só que não tive nenhum resultado. Eu ia ao aparelho, verificava e estava ali o bebezinho. Mandei um e-mail para um site sobre clínica de aborto e alguém me respondeu falando que em Curitiba não tinha nenhuma casa especializada. Devido a algumas denúncias, as instituições clandestinas tinham sido fechadas. Havia uma em Santa Catarina. Se eu quisesse, poderia ir para lá fazer o aborto. Falei que não podia ir porque estava trabalhando e não iria me deslocar. Não sabia quem eram, não ia me expor. Estava louca, mas não tanto. Entrei em sites e alguém me falou da Casa Pró-Vida, que poderia me ajudar. Liguei, marquei um dia. Eu já estava depressiva, emagrecendo, num estresse, não dormia mais. Estava me intoxicando de tanto tomar chá. Estava no limite, e sem conversar com ninguém, sem ninguém saber. Nos acompanhamentos, o pensamento de aborto foi sumindo. Comecei a me imaginar com a criança, assumindo tudo aquilo. Havia um medo de ao assumir destruir tudo que eu construí. De repente, chegar em casa, falar que estava grávida. Mas grávida de quem? Meu medo era de que tudo que eu construí caísse por terra. Tinha decidido ficar com o bebê, conversar com minha família e a Casa Pró-Vida estava disposta a ajudar em tudo que precisasse de ajuda. Decidi e não relutei mais. Cheguei em casa, fui até o quarto e falei ‘filho…’. Comecei a chorar, chorar. Quando falei pra ele foi uma coisa totalmente diferente daquilo que imaginava. A gente sempre imagina o pior, que vão te virar as costas, te abandonar, te julgar. Talvez muitas pessoas te julguem, mas muitas pessoas nos dão apoio. Ele falou: ‘Não, mãe. A gente tá junto’. Ele me abraçou e foi nesse momento que nossos laços se cruzaram com o nosso pequeno. Foi totalmente ao contrário daquilo que eu imaginava. Minha mãe é a que ficou mais chocada, por – que mãe tem aquela imagem, minha filha mãe solteira, aquele pensamento, né, no que os outros vão falar. Fui trabalhar, contei na empresa também. Avisei o RH que eu ia ter um bebê, que estava grávida. Não foi fácil, mesmo com todos aceitando. Demorei para me imaginar, ser mãe de novo, engravidar, ficar sozinha. Tentei falar com o pai da criança. Ele não quis saber, mudou os telefones, fugiu, evaporou.

Mesmo depois que meu filho nasceu, fui atrás, mas, o pai sumiu. Vou cuidar do meu filho e seguir minha vida. Minha mãe não me expulsou de casa. Mas, nesse período, tomei uma decisão: sair de casa, alugar um apartamento, mobilhar. O enxoval de bebê foi a Casa Pró-Vida que me ajudou a fazer. Hoje estou aí com meu apartamento alugado, comprei minhas coisinhas, está mobiliado. Meu filho está super bem, tá lindo, é minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem ele. Tento apagar da minha cabeça o que eu poderia ter feito. Se tivesse feito isso, não ia conhecer este rostinho maravilhoso. O aborto naquele momento era a única saída. Sentia medo, desespero, como se o mundo tivesse desabado. Nunca pensei em me suicidar, em pôr um fim na minha vida. Mas naquele momento, pensei muitas vezes. Não em colocar fim só na vida dele, mas na minha também. E depois de tudo isso, hoje sinto paz. Vejo como sou forte. O caminho não é fácil. Mas a gente consegue vencer. Deitar com a cabeça tranquila e dizer assim, ainda bem que não fiz. Muita paz, muita tranquilidade. Hoje, vejo como minha vida melhorou 100%. A relação com meu filho mais velho mudou. Conheci quem realmente é meu filho. É meu amigo, companheiro, mais que um filho. Me acompanhou durante a gestação. Eu precisava, ele estava do meu lado. Em nenhum momento me abandonou. Tenho muito orgulho do meu filho mais velho. Tenho certeza que o bebê vai ser tão maravilhoso quanto ele.’’

Testemunho concedido à Marcia Elizandra Faustino

Após ser violentada, mulher desiste do aborto

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Eu acordei, eu estava num quarto com um pouco de dor assim, um desconforto. Acordei já era outro dia às 7 horas da manhã. Ou seja, apaguei por horas. Perguntei pra minha amiga quem tinha me levado pro quarto e ela não tinha visto nada, ninguém viu nada. Eu me senti meio traumatizada.

Fui pra casa e depois de duas semanas comecei a enjoar. Pensei: ‘É só o que me faltava’. Naquele dia eu já tinha vomitado umas três vezes e pensava, ‘nossa, eu não acredito.’

Comprei o teste de farmácia. Estava grávida mesmo. Eu estava grávida e nem de homem eu gosto. Sou lésbica. Não sabia o que fazer.

Se eu falasse para meus pais, eles iam querer ficar com a criança. Eu naquele momento eu não queria. Não que o bebê tivesse culpa, ou eu alguma raiva dela. Porque se ela nascesse, não ia descontar na criança o que aconteceu comigo. Ela não tem culpa do pai que tem. Não queria abortar por olhar para ela e lembrar do que aconteceu. Era só por eu não querer naquele momento. Algo assim: eu quero o filho, mas não agora, tenho coisas para fazer, ia atrapalhar tudo.

Comecei a procurar nos sites, desde o começo da gravidez. Um dia encontrei a Casa. Eu estava com sete meses e sempre usei roupas largas. Sou filha única, ninguém da minha família sabe que engravidei.Antes disso, entrei na internet e tentei achar alguém que quisesse uma criança. Tinha meio que desistido de abortar. Na verdade, sabia que não ia conseguir abortar. Vou achar alguém que fique com a criança e dê o amor que ela merece. Não que eu não seja uma pessoa amorosa, só que naquele momento eu não queria filho.

Desisti de falar com o casal que queria adotar a criança. Fui conversando com as meninas da Casa Pró-Vida. Como sofri a gravidez inteira, porque só eu sabia. Conversando com elas (as atendentes da Casa), vi a saída, foi a salvação. Minha mãe é minha melhor amiga. Foi muito difícil esconder. Conversando com elas, segui mais aliviada. Depois de meses sem descansar, eu dormi mais tranquila. E marquei com a médica da Casa.

Todos esses meses, nunca fiz nada na barriga. Tem gente que bate na barriga. Eu só não queria ter, mas cuidava. Comia muita fruta, tomei vitamina, por mais que eu não quisesse, estava pensando no bem da criança. Tenho uma namorada e ela também não sabia. Eu nem chegava perto dela direito. Ela começou a estranhar.

Teve um dia em que comecei a sentir muita dor. Liguei para Pró-Vida, saí escondida da minha mãe. Fui para maternidade uma da manhã. Às 6h30 meu bebê nasceu de parto normal. Foi um alívio, peguei, ela era bonitinha. Foi uma sensação gostosa de ter deixado ela nascer, por não ter feito nada de errado, como ter evitado dela ter uma vida. Nem sei explicar a felicidade. Nasceu perfeitinha.

Fiquei um dia na maternidade. Antes de sair, fui visitar minha filha. Conversei com ela. Falei assim: ‘A mãe vai ter que deixar você aqui. Mas hoje ou amanhã vem uma família pegar você. ’ Saí de lá aliviada.

Fui à juíza explicar o que aconteceu, por que queria colocar para adoção. Estava com o advogado da casa. Até hoje a casa me acompanha.O pessoal aqui pensa na criança e na mãe. E quanta gente quer um filho e não pode ter. É uma vida, não um abjeto.

Aprendi muito com essa experiência. Antes eu até pensava: ‘Ah, mas a mulher, o corpo é dela. Por que não pode fazer isso?’ Agora penso que se ela não quer cuidar tem quem cuide. Não me arrependi de entregar pra adoção.

Acho que não vale a pena abortar mesmo sendo violentada. O sofrimento é muito grande. Eu até fui com a casa atender outra menina que passava pelo mesmo caso. Eu conversei com ela. Disse: ‘Sei que você deve estar pensando a mesma coisa que eu, quem somos nós para falar para você ficar, para ter o bebê. Só que nós queremos ajudar, porque se você abortar, pode dar uma complicação, vai matar a criança, é um conjunto. Eles (a casa) não querem só que a criança nasça. Querem cuidar de você e da criança, para que todas fiquem bem. Contei toda minha história. E ela aceitou ficar com a criança.’”

Testemunho concedido à Marcia Elizandra Faustino

Em meio à depressão, mãe decide dar um Sim à Vida

Mãe e filha! Foto por: Google Imagens

“Eu tinha acabado de me separar e, ao mesmo tempo, estava com problemas no meu trabalho. Estava até em depressão. Cheguei a um limite em que eu não aguentava mais. Todos os problemas do mundo pareciam estar nas minhas costas. Fiz uma viagem de final de ano, onde um refleti sobre o que estava fazendo da minha vida. Pensei: estou com minha família praticamente acabada, estou num emprego que não suporto mais, que está me fazendo mal. Estava naquela fase da badalação porque estava solteira, mas essa história de ficar com quem eu não sentia nada me fazia mal.

Então eu disse chega! Decidi voltar para a Igreja, para meus princípios. Ao mesmo tempo, suspeitei que estava grávida. Guardei para mim e fiquei naquilo: não pode ser, não pode ser. Um dia até o cheiro do meu shampoo me embaralhou o estômago e decidi falar para minha mãe que estava grávida. Minha mãe me ajudou muito, graças a Deus eu tenho ela. Fiz um exame de gravidez e deu positivo, nessa hora meu mundo caiu: o que eu vou fazer da minha vida? Eu estava em processo para sair da empresa e já tinha um filho, como sair da empresa e ficar desempregada com dois? Ainda mais um filho de uma pessoa que eu não amava, que não queria ter convivência. A gente só saia, eu sabia que não tinha futuro. Era só aquilo e acabou. Foi a primeira coisa que falei para minha mãe, ela perguntou: E agora, o que vai fazer? Eu respondi: Eu vou tirar.

Em nenhum momento eu pensei eu vou criar, eu vou tentar, só pensava em tirar. Aí me revoltei com Deus, afinal, eu estava tentando me aproximar e Ele pode tudo, por que agora aconteceu isso? Foi irresponsabilidade minha, mas porque Deus permitiu?

Comecei a procurar informações sobre o aborto. A primeira coisa que encontrei foi sobre o uso dos chás. Eu tomei tudo que achei. Se estivesse escrito na internet: toma xixi puro, eu tomava. Eu comecei a ter sangramento, mas os chás não tiveram efeito.Lembro-me que minha placenta descolou e a médica disse para não fazer esforço, pois o descolamento poderia levar ao aborto. Eu cheguei em casa e arrastei todos os móveis. Quando eu vi que não adiantava, fui para o medicamento, mas como ia conseguir? Eu vi na internet comentários de que traficantes vendiam medicamentos. Pensei: como vou chegar, conhecer um traficante? Fiquei o dia todo em uma praça da cidade, vi alguém vendendo e fui conversar. Os próprios traficantes me falaram: não faça isso. Mas a ideia está tão fixa na sua cabeça que você não vê nenhum lado positivo.

Fui atrás do pai da criança, falei que estava grávida e queria tirar, que ia tomar remédio. Ele concordou, falou que ia pagar e sumiu. Nunca mais o vi. Comprei o remédio, tomei e não fez nem cócegas, não adiantou. Então bateu o desespero, porque nada deu certo. Eu não tinha amor pela criança, estava com raiva de Deus. Durante a gravidez, eu tinha muitos pesadelos, todas as noites acordava assustada. Minha mãe até dormia comigo.

Eu tentei várias formas de fazer o aborto, mas encontrei a Casa Pró-Vida Nesse período, eu voltei a ir para a Igreja e meu coração foi amolecendo. Me abri para uma mulher da Igreja que veio em minha casa, ela me contou sua história e conversou muito comigo,porque sua mãe também tentou abortá-la. Decidi ter minha filha! Minha mãe ficou muito feliz, pois antes ela me apoiava, mas não concordava com a ideia do aborto.

Contei para meu pai, para todo mundo. Foi difícil, por que todos me perguntavam do pai e me julgavam. Mas eu decidi ter minha filha e hoje estou com nove mesesMeus pais e a Casa Pró-Vida MI me ajudam muito, minha filha ganhou muita coisa. Hoje eu vejo como eu estava cega. Na verdade, eu sempre quis uma menina e, com minha história, consegui alcançar outras pessoas que ainda pensam a mesma coisa que eu pensava antes.”

Testemunho concedido à Marcia Elizandra Faustino