Fertilização in vitro: por que você deveria abominar essa prática?

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Em Admirável Mundo Novo, uma das distopias mais lidas dos últimos tempos, o escritor inglês Aldous Huxley retrata um mundo futurista, dominado pela ciência e tecnologia – o sonho dos tecnocratas positivistas – onde as leis morais são ignoradas, e cada cidadão abdica dos princípios éticos em troca da escravidão do prazer e do “progresso e bem-estar social”.

Nesta ficção bem elaborada, a reprodução não é mais praticada através dos métodos naturais. No entanto, os cidadãos podem ter quantas relações sexuais quiserem, com quantos parceiros e da maneira como considerarem conveniente — só não podem gerar um vínculo através de uma gestação natural.

A reprodução acontece, então, fora do âmbito conjugal, nos laboratórios de engenharia genética, onde as pessoas são geradas de acordo com a estratégia dos engenheiros biotécnicos, que distribuem a reprodução e os nascimentos conforme as necessidades da sociedade. Alguns já nascem determinados a se estabelecerem em castas servis, outros em castas intelectuais, tudo planejado.

Neste mundo, tudo funciona muito bem, com máxima satisfação de prazer e uma ordem bem estabelecida para o “progresso”. Esses termos não nos soam familiares?

Quis trazer este trecho para iniciar essa reflexão e responder à pergunta estabelecida no título deste artigo, pois a literatura ajuda a lançar luz sobre muitos problemas e dilemas morais, organizando nossa visão de vida e as decisões futuras que dela advêm. Muito bem, sigamos para a reflexão…

É muito óbvio que não chegamos — talvez ainda não, ao menos em nível de sociedade — a uma situação como a retratada por Huxley. Ainda assim, é intrigante reconhecer que, quando abdicamos dos processos naturais de reprodução, admitindo iniciativas imorais como o aborto, a contracepção e a esterilização em nome de pseudo-direitos, abrimos espaço para a manipulação da vida humana e, mais cedo ou mais tarde, para a escravização explícita do outro.

Sejamos mais claros.

O pior problema moral nas sociedades que legalizaram a fertilização in vitro, em nome dos “Direitos Sexuais e Reprodutivos”, é que, para aumentar as chances de sucesso, os embriões são produzidos em grande escala e manipulados. Após uma concepção bem-sucedida, restam inúmeros embriões fecundados armazenados sem destino específico.

Muitos dirão: “não há vida aqui, pois embrião não sente dor”. São os mesmos argumentos usados pelos defensores do aborto. Assim, essa prática passa a ser reconhecida como direito, até chegarmos a níveis extremos de relativização.

Veja como a indústria da reprodução assistida se alimenta do mesmo argumento da indústria do aborto. Não há, portanto, como separar a defesa de um e de outro. Esse é o principal problema — mas não o único.

Se não há lei que regulamente o uso ou descarte desses embriões, o que impede experiências com esses seres humanos em fase inicial? O que impediria o incentivo a “barrigas de aluguel” em massa? Ou até experiências como clonagem humana?

Parece exagero? Não para quem já testemunhou casos grotescos recentes. A maldade humana, quando encontra poder, não conhece limites.

Dirão ainda: “é apenas um aglomerado de células”. Mas esse “aglomerado”, com material genético próprio, se desenvolvido em um útero, se tornaria o quê?

Outros argumentam que a própria natureza gera perdas espontâneas. Mas isso ocorre por acidente, não por intervenção humana. A diferença moral é essencial.

Pode-se dizer também que a fertilização in vitro é acessível apenas a quem tem recursos. No entanto, já existem movimentos que trabalham para ampliar esse acesso por meio de políticas públicas e pressão internacional.

Assim, não apenas o aborto, mas também a reprodução artificial pode ser financiada pelo Estado, ampliando ainda mais o número de embriões produzidos e descartados.

Há também o argumento religioso: “Deus deu ao homem a capacidade científica”. Sim, mas dentro de limites morais. Caso contrário, poderíamos justificar até armas de destruição em massa.

Outros dirão: “se Deus permite, então é aceitável”. Mas nem tudo o que é permitido é moralmente correto. O mal existe, mas isso não o torna justificável.

Por fim, resta o argumento da compaixão. Mas não se pode justificar moralmente uma prática baseada no desejo individual quando ela envolve a manipulação da vida humana.

Em nome da ciência e da lei, muitos absurdos já foram cometidos na história. Isso nos leva a uma pergunta inevitável:

Depois de tudo isso, ainda é possível afirmar que essa prática é moralmente aceitável?


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