O ABANDONO DE IDOSOS E A DESTRUIÇÃO DO NOSSO FUTURO

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O magno escritor e profeta de nossos tempos, G.K. Chesterton, em sua capacidade de iluminar o mundo com breves palavras que pareciam paradoxais, certa vez declarou o seguinte: “Retirem o Credo Niceno, e façam alguma estranha injustiça aos vendedores de salsichas”. Com isso, quis afirmar que a Igreja, sendo o corpo de Cristo no mundo, detém tal importância que uma pequena mudança em suas decisões doutrinais, causará inevitavelmente, enormes repercussões sobre a sociedade em eventos que sequer teríamos capacidade de prever consequências.

A Igreja não pode mudar seus dogmas e concepções, uma vez que as mesmas estão arraigadas na razão natural que fundamenta o ser de todas as coisas, e portanto, mudar sua doutrina, significa entrar em contradição com a sua razão de ser e com o mundo real, é por este motivo, que sempre encontrou e encontrará oposição dos pensamentos do mundo, que não passam de mera ilusão. Vide por exemplo a questão da famigerada Ideologia de Gênero, que nada mais é que uma ilusão, uma mentira que leva muitos a duvidarem da própria razão nua e crua.

Uma das questões que sempre tomou o coração da Igreja foi com o cuidado dos mais frágeis, tanto é que, enquanto se vivia no contexto dos povos pagãos da antiguidade, era a Igreja quem cuidava das necessidades dos pobres abandonados nas ruas, sejam elas crianças deficientes ou idosos e jovens inválidos em geral. Até mesmo a cultura indígena presente no Brasil, tem até hoje como costume em algumas tribos, o sepultamento vivo de crianças inválidas, por considerar que as mesmas não seriam capazes de se defender sozinhas e, portanto, estariam fadadas à morte iminente ou seriam de certa forma, um “peso” para os demais membros da tribo.
Muitos enchem a boca para dizer o quanto a sociedade se desenvolveu e como vivemos num mundo muito mais evoluído, construído pela razão e graças à libertação das amarras da escravidão da superstição, a qualidade de vida está melhor, será mesmo?

Desde a década de 1950, uma revolução se realizou no mundo no que se refere à vida conjugal e às famílias, com a Revolução Sexual e depois com o desenvolvimento dos métodos de contracepção, que produziram na mentalidade moderna, o medo da “superpopulação” e da iminente destruição do mundo pelo desenfreado crescimento no número de nascimentos. Desde então, muitos países, vem sofrendo com a chamada “inversão da pirâmide etária”, com um número cada vez maior de idosos no topo e outro bem menor de jovens na base. Os países mais pobres, nos quais a influência das ideologias não conseguiu florescer, são hoje, ironicamente, aqueles que tem a população jovem com maior proporção entre os cidadãos, como é o caso de Burundi, na África.

A grande preocupação que cerca o nosso país agora é com o crescente número de idosos abandonados. Já se fala em piora na qualidade de vida, falta de sustentabilidade previdenciária e sobretudo, problemas de ordem social, já que a maioria das pessoas desprezam a maternidade e a paternidade, com o mesmo vigor com que fazem em relação os pais e mães, sobretudo se são de idade avançada. Ninguém mais quer cuidar dos idosos no seio da família, que é afinal o seu meio natural, mas terceirizar os cuidados com os avós, da mesma forma que o fazem com os filhos, colocando-os em escolas de ensino de horário integral, colônia de férias, babás, creches e etc. A grande diferença é que no caso das crianças, elas podem servir ao objetivo da ideologia que os governa, os idosos, não!

Logo se levantarão aqueles que para dar uma solução fácil e rápida ao problema, quererão legalizar a eutanásia. O que fazer com essa grande massa de idosos que estão desamparados senão valorizar a sua vida como doação e sabedoria, a uma sociedade que hoje o despreza?
As políticas públicas, desde a influência dos grandes magnatas internacionais e das filosofias positivista que ganharam força no final do século XIX, só conseguem ver saídas imediatas e utilitaristas para os problemas sociais, em outras palavras, veem as decisões sob a perspectiva da satisfação apenas. Da mesma maneira como numa gravidez “inesperada”, determinam o ab0rt0 como saída necessária, o fazem com idosos que se tornam “um fardo” pesado no seio das famílias. É a verdadeira cultura do descarte!

Idosos abandonados, significam maiores custos para o Estado que deverá dar conta destes que são rejeitados pelas famílias e mais políticas públicas voltadas para garantir os direitos destes. Custos estes que saem de cofres públicos cada vez menos capazes de garantir sustento a tantos dependentes que poderiam e deveriam estar sendo cuidados e acompanhados no seio de suas famílias. Lá vai o Estado aumentar os impostos para oferecer um serviço que a família poderia estar garantindo com amor, respeito e veneração em relação às gerações passadas.

A sociedade precisa resgatar os valores da família e deixar para o Estado decidir outras questões que não a particularidade dos nossos lares. A Igreja em sua irretocável Doutrina Social, sempre pregou o princípio da subsidiariedade, segundo o qual, aquilo que os particulares conseguem resolver por si e com justiça, o Estado não tem direito de se intrometer. Se deixarmos ao Estado o controle total de nossas vidas e de nossas famílias, logo será ele a decidir pela utilidade, quem deve morrer ou viver, algo que já vimos na história da humanidade em outros tempos, não gerou outra coisa senão uma tragédia incalculável. Voltemos a valorizar a família!

Juliano Antonio Rodrigues Padilha – Economista, especialista em Finanças e Controladoria, e em Orçamento Público. Coordenador do Núcleo de Estudos e Formação da Casa Pró Vida Mãe Imaculada


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