A pandemia e o Governo Mundial

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Ninguém duvida que o mundo como o conhecemos, mudou muito nos últimos 30 anos, e ao que tudo indica, ainda mudará drasticamente nos próximos, com uma velocidade cada vez maior. Nos anos 1980, um movimento deu um grande impulso às mudanças evidenciadas atualmente, trata-se da globalização. O avanço da tecnologia, foi uma grande aliada de todo este processo, graças a qual, as barreiras antes existentes e que impunham fortes restrições aos limites geográficos para a troca de informações e bens, deixou de existir. Se por um lado, esta mudança de paradigma apresenta um grande número de vantagens, em oposição, apresenta uma série de desvantagens, das quais, destacadamente a sobreposição cultural e a relativização da soberania nacional ocupam os principais pontos de preocupação.

A pandemia do novo Coronavírus, que vem tomando parte do noticiário e do quotidiano mundial, demonstrou entre outras coisas, quão interligado o mundo está apesar das distâncias. Em poucos meses o surto se espalhou numa velocidade jamais vista na história das doenças contagiosas, devido em grande parte à escala de contatos entre as diferentes nações.

Diante do desafio de tratar a doença incurável, cada país adotou medidas particulares. A maioria, ainda com um conhecimento muito incipiente no que diz respeito ao contágio, buscou adaptar suas decisões, com base em “autoridades” mundiais do assunto, sendo a Organização Mundial da Saúde (OMS ou WHO), a mais destacada na questão. Reunidos em 21 de fevereiro, numa assembleia na cidade de Roma, um grupo de pseudo-estudiosos sobre os problemas globais, propunham mais uma vez, diante da gravidade das consequências geradas pela pandemia, que se elabore uma Constituição Mundial, a qual servirá de “bússola” para problemas como estes que assolaram a humanidade nos últimos meses [1].

A ideia um Governo Mundial, por assim dizer, não é nova. O próprio John Rockefeller II, influenciado por seu advogado Raymond Fosdick, que inclusive, foi o representante do governo americano na Liga das Nações (antiga denominação da Organização das Nações Unidas), já afirmara em sua autobiografia sobre seu trabalho no órgão, que para se obter a paz no mundo, a ideia de soberania das nações deveria ser reconsiderada. A mesma linha foi seguida por seu colega Jean Monnet, idealizador da União Europeia, que compartilhava com Fosdick do mesmo ideal. A consequência deste pensamento já se observa pelos trabalhos do Conselho Populacional em união à Fundação Ford, para determinar o trabalho de controle populacional a nível mundial.

A bipolaridade científica da OMS e seu despreparo em apresentar meios científicos palpáveis às nações para conter o problema global, fez sua autoridade cair por terra. Este fato revelou entre outras coisas que o seguimento de uma “autoridade” mundial não é eficaz, mas antes, depõe a liberdade de ação de muitos governos em particular e nem sempre as soluções apresentadas, são acertadas.

O ONU vem há anos tentando sobrepor seus interesses, muitas vezes dirigidos por particulares grupos, sobre as demais nações, especialmente na questão do aborto, em que se procura estabelecer uma política única a nível mundial para os chamados “direitos sexuais e reprodutivos”, ameaçando constantemente, através do Comitê de Direitos Humanos, os países pró-vida, taxando-os de “discriminatórios” ao submeter as mulheres à recorrerem ao aborto em clínicas clandestinas sofrendo as consequências dessa escolha, por não ter uma clínica estatal equipada que ofereça o serviço.

A construção de uma Constituição Global, levará os países que o aderirem inevitavelmente à perda de sua liberdade individual e submissão a autoridades que não respeitam as particularidades culturais e humanas de cada nação, em detrimento de um “bem-estar” global. Contra este mal já afirmava o Papa Emérito Bento XVI que “as sociedades em crescimento devem permanecer fiéis a tudo o que há de verdadeiramente humano nas suas tradições, evitando de lhes sobrepor automaticamente os mecanismos da civilização tecnológica globalizada”. Neste tempo de grande catástrofe econômica e de saúde, esta tentativa aparecerá com mais frequência, cabe a todas as pessoas de boa vontade, especialmente aos cristãos, reagir contra esta tentativa que pode voltar a tornar essas organizações, um “super poder” semelhante ao Império Romano nos primeiros anos do cristianismo.

Juliano Antonio Rodrigues Padilha – Economista, especializado em Finanças e Orçamento Público – Coordenador do Núcleo de Estudo e Formação

1.https://brasil.elpais.com/ideas/2020-04-04/crises-globais-exigem-solucoes-globais-e-hora-de-criar-uma-constituicao-mundial.html

 


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