A tragédia dos bebês congelados

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Estima-se que no Brasil já existam mais de 150 mil bebês congelados. E este número não para de crescer ano após ano.

A fertilização in vitro, que à primeira vista tem como finalidade um objetivo louvável de gerar vidas, é na realidade um procedimento que cria enormes problemas morais e éticos. Além de dissociar a procriação do ato conjugal (o que por si só já torna a prática muito contrária à natureza humana), e de colocar os filhos gerados numa situação de risco extremamente agravada, esta prática gera ainda um terceiro problema.

Normalmente quando se realiza uma concepção in vitro, é necessário fecundar mais óvulos do que são usados. Os excedentes são congelados. Em alguns casos, eles são implantados na mulher se o primeiro implante não tiver desenvolvido uma gravidez. O fato, porém, é que a maioria deles simplesmente permanece congelada indefinidamente. Isto está criando uma população de milhões de bebês congelados no mundo inteiro, aos quais são negados absolutamente todos os seus direitos como pessoas humanas.

Isto é uma tragédia sob diversos pontos de vista.

Um embrião congelado é uma pessoa que foi privada de sua dignidade humana por completo. É uma pessoa como eu ou você, porém à qual foi negada a mais básica possibilidade de ser nutrida por sua mãe e de tornar-se um bebê. Aceitar que um embrião fique congelado indefinidamente é a mesma coisa que lhe negar sua humanidade. É uma situação de injustiça extrema. Nossa sociedade aceita esta prática porque tornou-se absolutamente incapaz de reconhecer a dignidade de cada indivíduo. Passou a tratar alguns como meros objetos. Por este motivo, devemos combater esta prática nefasta com toda a força possível.

Além disso, mesmo se a concepção in vitro fosse completamente banida, ainda existiria o problema sobre qual destino dar aos embriões que já estão congelados. Esta é uma questão sem solução desde que foi realizada a primeira fertilização in vitro, em 1978. Ela continua sendo negligenciada até hoje.

Há pessoas que defendem o descarte após um certo período, e outras que defendem o uso dos embriões para pesquisas científicas de células tronco. Ambas constituem um brutal assassinato do ser humano presente no embrião, e são absolutamente inaceitáveis do ponto de vista cristão e humano. Infelizmente é para este caminho que as coisas parecem estar se dirigindo.

No Brasil, desde 2013 os embriões já podem ser brutalmente descartados ou extirpados para servir de material para estudos científicos, a depender da decisão dos pais e decorridos pelo menos 3 anos da concepção. Outros países já adotaram ou vêm adotando regras similares, sob alegação de que após este período os embriões já seriam considerados inviáveis. No entanto, este é um pretexto falso, pois sabe-se que a temperatura é tão baixa que os embriões poderiam permanecer neste estado quase que indefinidamente sem sofrer deterioração nenhuma. Em 2017, um bebê nasceu de um embrião que havia sido concebido 24 anos antes, o que confirma a falsidade do pretexto.

Alternativas um pouco mais satisfatórias seriam a adoção dos embriões por mulheres que queiram ter filhos, mas sofram com infertilidade, ou simplesmente mantê-los congelados indefinidamente. A segunda opção, como já falamos, mantém os embriões em um estado de perpétua injustiça. A primeira dificilmente conseguiria suprir a população crescente de embriões congelados com um destino mais humano.

O fato é que não existe uma solução plenamente satisfatória ao problema. O mínimo que deveria ser feito é abolir a prática da fertilização in vitro, e assim evitar que este holocausto seja perpetrado.

Felipe Mendes – Filósofo e membro do Núcleo de Estudos e Formação da Casa Pró Vida Mãe Imaculada


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