A desconstrução da família como estratégia promotora do aborto

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Émile Durkheim, apontado como pai da sociologia, constatou que famílias católicas contavam com índices de suicídio mais baixo que as anglicanas que, por sua vez, apresentavam menor número de casos em relação aos demais protestantes na segunda metade do século XIX. Concluiu que razão disso era a estrutura familiar, de modo que, quanto maiores os vínculos sociais entre os membros da família, tanto menor o risco de instabilidade.

A partir desse trabalho, sociólogos como Kingsley Davis entenderam que a estrutura social motivava o comportamento das pessoas. Esse autor publicou na Revista Science, em 1967, um artigo intitulado “Política populacional: os programas atuais terão sucesso?”.

Na década de 60, fora iniciado um plano de contenção do crescimento da população mundial, arquitetado por John Rockefeller III e outros especialistas do Conselho Populacional. Pressionando o governo norte-americano, obtiveram sucesso na implantação de medidas que pulverizaram fábricas de DIU pelo mundo; ensinaram médicos a realizarem laqueadura, ignorando a ciência ou vontade das mulheres; desenvolveram remédios abortivos e disseminaram nos países técnicas de aborto; incentivaram a abertura de clínicas de regulação da menstruação sem prévio exame de gravidez. Tudo isso desembocou em um lobby junto à ONU, que criou o UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas).

Assim, quando o trabalho de Kingsley Davis foi publicado, a regulação dos nascimentos se dava pela morte dos bebês no ventre materno. Contudo, o sociólogo alertou para o fato de que tal programa não teria sucesso, posto que as mulheres continuavam a desejar filhos em razão da estrutura familiar. Desse modo, a taxa de nascimento superava a de mortalidade, mesmo com a política de aborto.

A “solução”, então, não se encontrava nos médicos ou nos políticos, mas nos sociólogos, únicos capazes de propor uma mudança na estrutura da sociedade, para que as mulheres não mais quisessem ter filhos.

Afirmava Kingsley Davis que era necessário “alterar a estrutura da família, o papel das mulheres no mundo do trabalho e as próprias normas sexuais, e não proteger a família e a observância das normas familiares”.

Devido à morte de John Rockefeller III em 1978, a implementação das ideias de Kingsley Davis foi realizada pela Fundação Ford em 1990, por meio do relatório intitulado “Saúde reprodutiva, uma estratégia para os anos 90”. Esse documento buscava enfrentar “temas tão delicados como a educação sexual precoce, o status da mulher na sociedade, os julgamentos de valores morais e os valores éticos pelos quais as decisões reprodutivas são tomadas pelos indivíduos e pela sociedade”.

A Fundação Ford, por meio desse programa, introduzia novos conceitos de saúde e direitos sexuais e financiava o reconhecimento do aborto como um direito reprodutivo.

Pouco a pouco, a estrutura social foi afetada e as famílias reduzidas. A educação dos filhos foi delegada integralmente ao Estado, ou a terceiros tutelados pelo estado, devido à entrada da mulher no mercado de trabalho. Uniões homossexuais foram equiparadas à família, constituindo mais um obstáculo ao crescimento da população. O termo “direito reprodutivo”, recentemente criado, justificou a matança de bebês no ventre por vontade da própria mãe, fato que não fora visto na história moderna.

Após os anos 90, outras estratégias foram colocadas em prática, voltadas ao aborto seguro e a redução de danos. A cultura da morte se propaga a passos largos. Cabe aos católicos assumirem com veemência o propósito de rebelar-se contra essa estrutura em atos concretos, principalmente por meio do estudo e da busca da verdade que provém do Verbo Encarnado.

Convém finalizar este texto as palavras do Servo de Deus Padre Júlio Maria de Lombaerde (1878-1944):

“Há três modos de assassinar uma criancinha: 1) matá-la depois de vir ao mundo; 2) matá-la antes de nascer; 3) matá-la antes de existir, não lhe permitindo vir à existência. Este último crime é tão horrível quanto os dois primeiros. (…) E a mãe desnaturada, só preocupada com o prazer da natureza, com o gozo, num egoísmo brutal, não queria abrir o coração e os seus braços de mãe, para receber estes belos e luminosos anjos… ela preferia o seu comodismo, o prazer, a lama! (…) Meu Deus, fazei compreender isso a todas as esposas, a todas as mães. Só há duas saídas: ou a castidade, ou a maternidade.” (Retirado do opúsculo: “Mensagem às mães que matam os filhos”. Editora Centro Dom Bosco, 2018).

Wiliam Carvalho, advogado, integrante do Núcleo de Estudo e Formação da Casa Pró-Vida Mãe Imaculada.


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