N. ajudou duas de suas companheiras a abortarem durante a juventude

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“O ano era 2007, eu tinha 23 anos. Namorava fazia 4 anos, estava traindo minha namorada. Em um dos encontros a menina acabou engravidando. Nós ficamos desesperados! Em comum acordo, decidimos que aquela gravidez não poderia ir para frente e resolvemos abortar. Consegui o remédio abortivo com um amigo, passamos a noite em um motel e conseguimos realizar o aborto. Aquilo foi tão traumático para ela, que decidiu ir embora para outra cidade. Eu era tão insensível que no dia seguinte ao aborto eu fui jogar futebol, como se nada tivesse acontecido. E eu não dei todo o apoio que ela precisava superar aquele acontecimento. Eu estava no último ano da faculdade, fazendo estágio em uma empresa fazia 1 ano e alguns meses. Isso aconteceu no início do ano.

Segundo caso: Também em 2007 (fim daquele ano), eu estava trabalhando no meu TCC, minha namorada e eu mantínhamos relação sexual frequentemente. Em uma dessas relações, vacilamos e ela engravidou. Olha o mesmo pesadelo me assombrando de novo. ‘Nossas famílias muito tradicionais, como vamos contar isso para todo mundo? Somos muito jovens, não temos condições de ter uma criança.’ E minha namorada e eu decidimos pôr fim naquela gravidez. Conseguimos o remédio abortivo com aquele mesmo amigo do primeiro caso. Fomos para um motel cometer o aborto e assim fizemos. Depois de alguns dias, fomos ao médico para ela fazer um exame de ultrassom e a tentativa não tinha dado certo. O bebê ainda estava vivo. Conseguimos mais remédio e fomos para a segunda tentativa de fazer o aborto. Fomos fazer outro exame de ultrassom e o bebê continuava lá. ‘Ai, meu Deus, que desespero, que pesadelo que não tem fim!’

Estávamos determinados a tirar aquela criança e fomos para uma terceira tentativa. Conseguimos mais remédio, meu dinheiro já estava quase acabando, pois eu tinha sido demitido do meu trabalho. Fomos novamente para o motel e cometemos a tentativa de aborto mais uma vez. Aquele foi o pior dia. Minha namorada começou a ficar fraca, a passar muito mal. Começou a ter muito sangramento e chegou até a desmaiar. Eu fiquei desesperado… ‘E agora, meu Deus? Como receberei ajuda nessa situação?’. Fizemos o exame de ultrassom e constatamos que naquela terceira tentativa o aborto havia acontecido. Minha namorada precisou fazer um procedimento de curetagem e passamos o dia inteiro no hospital. Foi o pior dia da minha vida. Aquele meu amigo que conseguiu o remédio também já havia cometido um aborto.

Num primeiro momento, após os abortos, eu não tinha muita consciência das coisas horríveis que eu tinha feito. Mas depois de alguns anos a conta chegou… Sentimento de culpa e arrependimento. Sentia-me o pior ser do mundo. Eu passei a ter sentimentos estranhos, dores de cabeça inexplicáveis. Até que em 2013 fui diagnosticado com transtorno de depressão e ansiedade. Até hoje (2019), não estou plenamente curado e toda vez que eu tenho uma crise de depressão o sentimento de culpa me corrói.

Em 2017, eu tive coragem de confessar a um padre sobre os abortos. Foi um alívio naquele momento. Mas depois disso ainda continuei tendo crises e a cada crise os mesmos sentimentos de culpa e arrependimento. Eu não me perdoava. Na verdade, ainda não tenho certeza se me perdoei.

No início deste ano, eu tive uma crise de depressão e me veio novamente o sentimento de culpa sobre os abortos. Eu pensei comigo: ‘preciso fazer alguma coisa para me redimir do que eu fiz. Preciso ajudar a salvar vidas. Impedir que abortos aconteçam’. Comecei a buscar na internet instituições que lutam contra o aborto e encontrei a Casa Pró-Vida Mãe Imaculada. Também estou colaborando com uma instituição pró-vida na cidade onde moro.

Hoje estou casado e tenho um filho de 4 anos. A minha esposa é a namorada daquele segundo aborto. Graças a Deus, ela o superou melhor do que eu.

Espero colaborar ainda mais ativamente, no intuito de conscientizar pessoas a não cometerem aborto e não passarem pelo que eu passei e sofro até hoje, 12 anos depois.”

Testemunho concedido à Casa Pró-Vida Mãe Imaculada

Entrevista: Marcia Elizandra Faustino


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