Santo, médico ou militante: afinal, a educação serve a qual finalidade?

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Nunca na história da humanidade, houve um tema tão recorrente como a educação. Argumentam inúmeras pessoas que o único meio para melhorar a sociedade e reduzir as mazelas humanas é a educação. Mas afinal, a educação serve a qual finalidade? Porque a sociedade está longe de se tornar melhor através da educação vigente? Onde está a falha?

A resposta a esta pergunta está exatamente na questão primordial, diríamos até, que é a “Pedra Angular” do sucesso da educação, questão essa que tomou a mente de grandes sábios durante a antiguidade clássica, destacadamente os filósofos gregos, perpassando os tempos até chegar na Idade Média com os escolásticos e que tentou ser resgatado mais recentemente com o Concílio Vaticano II na Declaração Gravissimus Educationes. O foco que passou por todo este período é: para que serve um sistema educacional, e como ele deve ser regido para alcançar o objetivo de uma sociedade mais justa e segura?

Antes disso é preciso perguntar qual a finalidade do homem? O homem é um ser que por si mesmo busca a felicidade e o conhecimento. Ambos os aspectos estão intimamente unidos e um depende do outro. Desde os tempos mais remotos, o homem sempre buscou saber e transmitir esse conhecimento às gerações seguintes. De acordo com Aristóteles, o homem é feliz quando detém dos bens exteriores (respeito e honra), materiais e, sobretudo, os interiores. Os dois primeiros servem a este último. Portanto, o conhecimento e a sabedoria é o bem supremo que todo ser humano procura. Os outros bens não saciam o homem, este último sim!

Mas alguém poderia objetar o seguinte: vivendo numa sociedade capitalista, na qual o desenvolvimento técnico é a fonte de bem para a humanidade, um sábio não serve para nada, nem pra ele mesmo, quiçá para os outros que compõem essa sociedade. A estes respondemos que a história mostra o contrário.

Uma anedota antiga diz que Tales de Mileto, o primeiro do pré-socráticos, era zombado pelos seus concidadãos pela forma de vida que levava, despojado de todos os bens e da família, buscava a sabedoria. Certa vez, ele quis dar uma lição aos seus detratores: prevendo o curso das estrelas, identificou que em alguns meses, haveria uma grande safra de azeitonas, e desde então, comprou todas as prensas da região. Passaram então a caçoar ainda mais dele! Mas o tempo lhe deu razão, e finalmente, quando a colheita de azeitonas foi abundante, apenas Tales detinha das prensas e as vendeu a grande preço aos produtores. Em seguida, convidou todos os zombadores e lhes deu uma lição, de que se quisesse, ele seria rico, mas que isso não lhe importava, e por fim, distribui todo o dinheiro entre os mesmos concidadãos.

Desde a Revolução Francesa que emancipou a burguesia e a fortaleceu, robustecendo-a ainda mais com o advento da Revolução Industrial, muitos filósofos modernos fazendo uma leitura da história com base nos escritos de Hegel, imaginavam que finalmente a humanidade chegou à fase da ciência e do progresso, e que esta devia servir aos interesses materiais do homem em seu nível animalesco que vê como finalidade do homem, prolongar sua vida nesta terra e aumentar seu prazer e sua satisfação nela. Nada mais tolo! John Dewey, que recebeu patrocínio de Rockefeller para este intuito, via na educação voltada para a técnica sua finalidade. Eis porque está encalacrado nos jovens o desejo de se formar pra ganhar dinheiro e gozar a vida.

O tempo passou, e outro ideal tomou conta da opinião geral. Não adianta estudar pra ganhar dinheiro, se a sociedade não me dá condições para tal ou que meus sucessos venham a me tornar um capitalista opressor. Introduziu-se então, a compreensão da educação como meio de produzir igualdade e bem-estar, que teve início com Gramsci, Althusser e aqui no Brasil, Paulo Freire. As escolas se tornaram então, meio para militância e discussão social.

A história demonstra que estamos no caminho errado. A educação nasceu na Antiguidade como um meio do homem alcançar a sabedoria, e com o advento do Cristianismo, como um meio de chegar à santidade. Para ser um bom profissional não era necessário fazer uma faculdade, bastava aprender com outra pessoa o ofício e aperfeiçoá-lo com o conhecimento mais profundo, por isso, bastava ao estudante ter o Trivium e o Quadrivium, para moldar sua mente ao conhecimento profundo das verdades eternas pela razão. Para que a sociedade fosse mais justa e igualitária, não precisava de discussões intermináveis em sala de aula sobre o racismo, dignidade da mulher ou afins. Para isso bastava viver como bom cristão, meditando o evangelho e procurando corrigir o coração da maldade a qual o mesmo tende.

Nossa sociedade moderna está doente. Busca se satisfazer cada vez mais com bens materiais, causando guerras, discórdias e ódio. Quando essa busca desenfreada causa desigualdade, a parte prejudicada procura tomar pela violência e pela força aquilo que considera ter sido roubado pelos primeiros. Tudo isso se tornou um círculo vicioso, que tem como mola propulsora a própria educação, e muitos ignorantes ainda pensam que é por meio dessa “educação” que a sociedade há de melhorar. Como é típico do homem moderno, desde a Revolução Francesa, odiar aquilo que foi praticado antes deste tempo, descartam a única possibilidade de propiciar uma educação com finalidade ótima para a felicidade do homem. Enquanto não rompermos esse ciclo, ele não encontrará fim.

Juliano Antonio Rodrigues Padilha – Economista, Especialista em Finanças e Orçamento Público – Coordenador do Núcleo de Estudo e Formação da Casa Pró Vida Mãe Imaculada


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