EUTANÁSIA, PODEMOS VIVER SEM ELA

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Em 1938, na Alemanha nazista, os pais de uma criança severamente deficiente peticionaram diretamente a Hitler solicitando o direito de matar o seu filho. Hitler atendeu, e esse episódio ficou registrado como o começo da política nazista de “golpe de misericórdia” ou “eutanásia”. Em 1939 um comitê secreto já requeria de certas parteiras e médicos o preenchimento de formulários contendo os nomes de crianças deficientes ou malformadas. Essas crianças eram levadas para outros hospitais “para melhor tratamento”. Muitos morreram. As enfermeiras que os matavam aplicavam sedativos em altas doses, o que disfarçava a aparência de homicídio. No fim de 1940 tem-se registrado que já era de conhecimento comum na Alemanha o fato de que o Estado matava por eugenia. Em Agosto de 1941 já eram 70.000 mortos. O mais surpreendente: nenhuma ordem para tal foi dada, Hitler se limitou a conceder aos médicos o poder de matar naquelas condições, o resto veio como conseqüência inevitável.
Exemplos da Alemanha nazista sempre parecem remotos e distantes, mas a nossa época, tão pretensamente “avançada”, “tolerante”, e ansiosa por fazer justiça a todos, está mais próxima daqueles horrores do que pode parecer à primeira vista. O Canadá será um exemplo formidável de como essa ideologia perniciosa pode se alastrar muito rapidamente. Em 2016 teve a sua primeira morte legal por eutanásia. À época o “procedimento” era restrito a quem tivesse uma enfermidade grave e incurável. Hoje já são mortos por essa via os sem-teto, os pobres, os deficientes, os que sofrem de dores crônicas.
Em Março de 2023, atendendo a emendas recentemente feitas e aprovadas pelo parlamento, o MAiD (Medical Assistance in Dying – Assistência Médica à Morte) deverá incluir como elegíveis os doentes mentais. Charles Camosy, professor da Creighton School of Medicine, diz que a alteração pode ter como consequência a possibilidade de eutanásia de menores por médicos do Estado sem o consentimento dos pais. O professor diz que a medicina tem sido hiper-secularizada nos últimos anos, e é baseada em análises e custo-benefício.
Inclusive isso não é segredo, já em 2017, pesquisadores da Universidade de Calgary publicaram no Canadian Medical Association Journal a cifra de $139 milhões anuais que seriam economizados pelos cofres públicos graças à política de eutanásia. Os pesquisadores ressaltam que tal informação não deve influenciar ninguém na tomada de tão grave decisão, é claro.
A economia é, no entanto, apenas o lado menos atrativo do negócio. Em 2019, o mesmo Canadian Medical Association Journal publicava um “guia” para doação de órgãos após a eutanásia. Na primeira tabela do documento, que fala sobre a conversação com o “paciente”, lemos com espanto: “…algumas jurisidições podem preferir começar com sistemas que respondem somente a requerimentos iniciados pelos pacientes.” O que deixa muito clara a intenção dos autores: que se chegue já em alguns lugares, e depois quem sabe em todas as jurisdições, à doação dos órgãos dos mortos por eutanásia apenas pela decisão do médico responsável. Isso é o mais próximo que se pode chegar de uma máquina de exploração de órgãos estatal.
Tudo isso pode parecer sem propósito se não soubermos que o sistema de saúde canadense, tão idolatrado pela mídia internacional nos últimos anos, tem sofrido gravemente com a falta do que eles chamam de “family doctors”. A população toda é afunilada em clínicas e salas de emergência, onde o atendimento é menos personalizado e demorado. Como o sistema é público, o Estado tem de encontrar soluções para essas dificuldades. Derek Ross, diretor executivo da Christian Legal Fellowship, diz que a morte está sendo oferecida como “resposta médica”, e não apenas para doenças terminais, mas para potencialmente qualquer fase da vida adulta, por passageira que seja. Alguns solicitam a eutanásia por solidão, por exemplo; como o famoso caso de Nancy Russell, que em Novembro de 2020, ao saber que teria de passar mais duas semanas em confinamento no seu quarto, pediu a morte ao Estado; seus médicos alegaram decaimento da saúde mental e da vitalidade, e o requerimento foi aprovado. No momento da eutanásia, os familiares que estavam proibidos de vê-la foram autorizados a, ironicamente, assistir ao seu assassínio.
Em Outubro deste ano de 2022, o Quebec College of Physicians recomendou que recém-nascidos que têm “graves malformações”, e “expectativa de vida nula”, deveriam ser elegíveis ao MAiD, o programa de eutanásia. Assim, esses corpos burocráticos de médicos induzem cada vez mais a: (1) morte provocada de pessoas mais jovens e saudáveis, e até bebês, e não apenas doentes graves; (2) apropriação dos órgãos dessas pessoas pelas autoridades médicas; (3) resolução de casos médicos de alto custo e complexidade, como as doenças mentais, com a morte dos pacientes.
De 2016 a 2021, o programa MAiD matou 31.664 canadenses; quase meio-caminho dos 70.000 do Führer.


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