O perigo da bancada Lemann

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Após o último pleito eleitoral nacional, mudanças significativas ocorreram na composição das cadeiras no Congresso Nacional com a chegada de nomes novos, os quais jamais exerceram cargos legislativos e que muito pretendem fazer pela da sociedade. Essa mudança tem um lado positivo, uma vez que a “velha política” vem aos poucos sendo deixada para trás; o senso crítico que a população brasileira adquiriu nos últimos anos, está a mudar o perfil das próximas eleições. Doravante, os candidatos já não podem mais fazer da política uma profissão, mas devem proporcionar respostas eficientes às necessidades do país, sendo avaliados por uma rigorosa análise do seu mandato.

Infelizmente, essas mudanças ainda devem levar um bom tempo para atingir um estado ótimo de maturidade. É o que se pode analisar pelas pautas defendidas pelos “neo-parlamentares”. Alguns destes “cristãos novos” da política, pretendendo se desvincular de qualquer “ideologia”, prometem ser isentos de qualquer tendência ao extremismo, mas no fundo, parecem mesmo defender muitos projetos que em nada diferenciam dos seus antecessores. Destaca-se nesse sentido, a famigerada Bancada de Lemann, que recebeu este nome, devido à influência do milionário brasileiro Jorge Paulo Lemman na formação acadêmica de um grupo importante de novos deputados, e que em comum objetivo, pretendem “lutar” por uma educação de maior qualidade para o país [1]. O grande empresário foi responsável pelo patrocínio, através de bolsas de estudos em universidades renomadas aos novos congressistas.

Entre os nomes que mais se destacam, sem dúvida, o de Tabata Amaral (PDT – SP) parece ser aquele que tem a prerrogativa dos holofotes da mídia em geral. A jovem deputada de apenas 24 anos parece ter um futuro promissor na política por sua história de vida e de superação da pobreza, conseguindo alcançar uma importante formação acadêmica em Harvard no curso de Astrofísica. Em que pese o curriculum louvável da deputada, a mesma afirma ter asco ao extremismo ideológico e pretende seguir o caminho da isenção ao se contrapor à esquerda e à direita. Infelizmente essa afirmação não passa de uma falácia, uma vez que a maioria das pautas da deputada parecem estar bem alinhadas com as dos movimentos de esquerda liberal.

Recentemente, em uma entrevista oferecida à revista feminista Marie Claire, a deputada que se diz “católica” e que inclusive, exalta a preocupação e o apoio da comunidade católica local quando da sua infância pobre, se mostrou favorável às pautas das comunidades LGBT (especialmente a Ideologia de Gênero) e do movimento feminista. No que diz respeito ao aborto, usou jargões bem conhecidos da esquerda tais como: as mulheres pobres e negras são as mais ameaçadas pelo problema, e que o congresso só deve aprovar neste momento, questões que representem um “retrocesso” aos direitos das mulheres [2]. Tal afirmação não causa espanto, ainda mais considerando que o seu mentor Jorge Paulo Lemann parece estar bem alinhado com as causas contrárias à família [3].

A jovem deputada já chegou a afirmar que o Marxismo Cultural não existe [4], mostrando total desconhecimento a respeito da partidarização escolar que vem tomando a frente do sistema educacional brasileiro nos últimos anos. Afirmou ainda que a questão do Homescholling, proposta pelo Ministério da Educação nos seus primeiros dias de trabalho, é algo secundário e não prioritário para o momento, e no que diz respeito à questão, seria até favorável, mas desde que houvesse regulamentação da prática [5].

Muitas pessoas vêm caindo no engodo da “isenção” da deputada, principalmente pelo seu apoio parcial a atual Reforma da Previdência, e ao trabalho do Ministro da Justiça Sérgio Moro. Percebe-se, entretanto, que muitas das respostas às necessidades do povo brasileiro, não podem ser respondidas pelo conhecimento acadêmico de Astrofísica da Harvard University. Especialmente no que diz respeito ao aborto, o problema não é de saúde pública, mas de segurança pública, uma vez que se trata de um ser inocente a ser eliminado por aquela que gera. Tal problema não pode ser analisado sob o ponto de vista materialista de uma amostra num tubo de ensaio, vai muito além da ciência; se a dignidade da vida humana depender de uma análise laboratorial para seu assentimento, corremos o risco de reduzir o valor da vida humana.

Nos últimos anos, a influência do poder econômico sobre a sociedade vem se mostrando cada vez mais flagrante. Não seria de admirar que Lemann também tenha este interesse, inclusive, ele não seria o primeiro. John Rockefeller III, em 1970, já havia demonstrado interesse em relação aos aspectos educacionais para disseminação de uma nova construção social e uma nova cultura [6]. É do interesse do grande capital, financiar pautas defendidas pelos movimentos de esquerda, especialmente quando se trata da destruição da família através do aborto e das relações homoafetivas, isto porque, quanto menos as pessoas se preocuparem com gerar filhos e ajuda-los na sua formação, mais focadas estarão no trabalho e na produção de bens materiais. Não podemos nos enganar, a bancada de Lemann não representa nada de novo, não passa apenas de um braço da velha política com camadas e mais camadas da mais cara maquiagem, ao cair esta última, descobre-se quem realmente é.

  1. https://www.istoedinheiro.com.br/os-candidatos-de-lemann/
  2. https://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2019/06/tabata-amaral-visoes-de-uma-das-vozes-mais-ativas-pela-educacao-no-congresso.html
  3. https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/escola-eleva-de-jorge-paulo-lemann-adere-ao-politicamente-correto-e-destroi-dia-das-maes/
  4. https://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/576539-DEPUTADA-ACUSA-MINISTRO-DE-MANIPULAR-DADOS-E-DIZ-QUE-EDUCACAO-AVANCOU-EM-TODOS-OS-GOVERNOS.html
  5. https://twitter.com/tabataamaralsp/status/1116433751523962882
  6. http://acordaterradesantacruz.com.br/wp-content/uploads/2015/04/03-IntendedConsequencesRockfeller.pdf

 

Juliano Antonio Rodrigues Padilha – Economista, Especialista em Finanças e em Orçamento Público – Coordenador do Núcleo de Estudo e Formação da Casa Pró-Vida Mãe Imaculada


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